
Resumo
Pretendeu-se com este trabalho
rever, agora no contexto português, alguns aspectos psicométricos das escalas propostas
para o MAACL-R, bem assim como confirmar ou infirmar a estrutura originalmente proposta. O
pressuposto que se tomou como certo é o de que há certas peculiaridades linguísticas e
especificidades culturais com que se defronta sistematicamente o investigador que pretende
traduzir e adaptar um instrumento quando o intenta utilizar num contexto linguístico e/ou
cultural diferente daquele em que foi desenvolvido.
À semelhança dos anteriores, o
estudo também veio reforçar a convicção de que têm razão de ser as cinco escalas
propostas no contexto de duas grandes dimensões, embora devam ser pontualmente
reformuladas no contexto português dadas as implicações significativas da conotação
de alguns itens. Neste contexto destacam-se desde logo as migrações transculturais dos
afectos ligados a agressividade e extravagância num sentido, e à crítica por outro.
Sugere-se além disso uma achega para o significado dos factores em conformidade com a
forma de traço, mantendo porém a equivalência à de estado.
Summary
Psychopathology
and Mental Health in the Mood Structure:
retreat, dependence and strength as
MAACL measurements
The goal of this study was to
review for the Portuguese context some of the psychometric properties concerning the MAACL
scales as well as to confirm the structure originally proposed. What we had in mind was
the implications of some linguistic peculiarities and cultural idiosyncrasies that always
come up when someone intends to use an instrument such as this in a different context from
the one where it was conceived.
The study reinforces the
conviction that the five scales proposed in the context of two broader dimensions do have
reason to exist, although needing some minor changes due to different semantic
implications. One emphasis is made in the transcultural migration of aggressive and wild,
in one hand, and critical in the other. The author also suggests some aspects that may
spill some light over the meaning of the mood clusters as detached from the structure of
the trait form, thought keeping in mind the comparability with the scales of the state
form.

Introdução
Mais do que uma mera manipulação
fornecedora de um índice numérico indiciador da sua validade, o processo de validação
de um teste deve ultrapassar tal análise psicométrica de natureza puramente estatística
[1, 2, 3]. Com efeito, o processo de avaliação da validade de um teste tem de ir ao
encontro de variadíssimos pressupostos que não só o da validação por conformidade
criterial, o de validade do conteúdo, ou o de validade do constructo [4]. Trata-se de
facto de um processo inferencial que envolve consideração simultânea de aspectos de
ordem teórica e de adequação empírica, e que inclusivamente envolve critérios
condicionais uma vez que podem depender do contexto previsto para a sua utilização. Para
compreender essa necessidade absoluta de clarificação dos objectivos em vista aquando da
sua construção, pense-se por exemplo na relação entre fiabilidade e sensibilidade. De
facto estes dois aspectos da validação variam na razão inversa, pelo que importa
estabelecer ab initio a qual deles dar prioridade. E assim é que em investigação
interessa particularmente a sensibilidade, permitindo detectar todos os casos à custa de
uns quantos falsos positivos, ao passo que no contexto do reconhecimento diagnóstico
individual, como facilmente se poderá compreender, interessa sobretudo a especificidade,
ainda que arriscando alguns falsos negativos [5]. A este propósito são mesmo de referir
as implicações éticas que resultam da ulterior utilização a dar ao teste mas a
considerar desde logo neste processo de validação.
Numa linha de estudo
anterior temo-nos vindo a interessar pela influência, diríamos pela mediação da
personalidade no tipo de recurso a determinados meios de superação. Mais do que o
estado, é pois neste contexto de invariantes da personalidade, e assim entendemos a
pressuposta estabilidade do traço, que pretendemos estudar e depurar um meio de avaliar o
modo tendencial de reagir emocionalmente às situações que se nos deparam no nosso
quotidiano. E designadamente em termos de atitudes de retraimento, em regra tradutoras de
risco psicopatológico e eventualmente sugerindo uma intervenção de tipo terapêutico,
ou pelo contrário de atitudes de aproximação e confronto. Estas últimas, assim
encaradas como estando para além da ausência daquelas, representarão por sua vez uma
disposição mental salutar e mesmo protectora, cuja ausência sugerirá antes uma
intervenção de natureza psicoeducacional a nível da autoestima. E é exactamente este
aspecto um dos que mais frequentemente se tem ignorado nos estudos deste âmbito, uma vez
que os meios de detecção em regra só pesquisam a presença ou ausência de achados
positivos de índole psicopatológica, e não a presença ou ausência de índices de
saúde mental. Mas áreas há, mormente no domínio da psicossomática, em que a
sintomatologia psicopatológica alegadamente prima pela ausência, e designadamente em
circunstâncias adaptativas em que tal não seria de esperar a não haver uma forte
repressão/negação. E essa transparência por ausência de achados psicopatológicos,
vem a constituir-se em falsos negativos por meio dos referidos instrumentos convencionais.
A estas tonalidades
afectivas básicas acresce no entanto uma modelação caracterial por si só também
determinante de diferentes formas de expressão. Deste modo teremos que, por influência
de determinados aspectos de natureza caracterial, uma mesma disposição temperamental
poderá assumir diferentes cunhos patoplásticos. Estes, dada a natureza estável dos seus
determinantes, também devem ser suficientemente estáveis para poderem ser avaliados só
por si, embora possam ter um modo de expressão mais ou menos aparente ou mais ou menos
tendencial, sendo o desencadeamento desse potencial mediado pela influência de
determinada constelação circunstancial no contexto do carácter. No entanto, dada a sua
determinação comum, devem por outro lado poder assumir toda uma gama intermédia de
expressões ao longo de um continuum resultante do maior ou menor peso e
influência num ou noutro sentido dos referidos condicionantes adquiridos. Ou seja, ao
avaliar invariantes da personalidade não estamos necessariamente a alcançar de forma
impoluta todos seus determinantes, mas antes os estilos expressivos resultantes dessas
influências múltiplas, podendo eventualmente inferir alguns desses determinantes no
contexto de um determinado modelo.
Somos de parecer que os
estudos dimensionais, ainda hoje não consensuais [6, 7], se devem alicerçar nos modelos
fenomenológicos oriundos da psicopatologia clínica. Com efeito, tais reflexões
categorias muito devem a uma reconstrução criterial permanente, na medida em que são
fruto de uma observação sempre posta em causa, pelo que dispõem hoje de critérios
explícitos perfeitamente estabelecidos [8], critérios esses que muito provavelmente
circunscrevem de modo implícito a base biológica do comportamento observável. Ora como
regra geral pode dizer-se, e tem sido descrito que a maior parte das variações
observáveis na personalidade, tanto de índole psicopatológica [8, 9, 10] como na
população em geral [11, 12, 13], podem ser explicadas através de cinco factores, mais
ou menos dois. Estas soluções têm-se revelado válidas e significativamente
intercorrelacionadas [14, 15]. Mais além tem-se verificado que os resultados destes
questionários de autopreenchimento acabam por ir de encontro às alterações da
personalidade reconhecidas por critérios estabelecidos [16] ou através dos relatos
descritivos dos circunviventes [15]. A descrição de um desses factores vai
frequentemente de encontro a uma orientação atitudinal respectivamente sobre o próprio
ou sobre o meio. Com efeito, um dos constructos que no decurso da sua já longa história
se tem revelado mais profícuo, é o da tipologia psicológica jungiana, pese embora sem a
natureza bimodal implícita nas assunções originais. Um segundo factor também
insistentemente descrito refere-se antes a um neuroticismo de contraponto com estabilidade
emocional e comportamento adaptativo; refere-se pois a traço de comportamento
potencialmente inadequado [17] que incorpora de modo inespecífico aspectos tão diversos
como ansiedade, hostilidade, depressão, autoscopia, impulsividade e vulnerabilidade
emocional em geral. E essa é uma das suas lacunas. Mais além ainda, e em relação a
estes dois factores, o efeito operado por ansiolíticos e álcool sobre os comportamentos
que os caracterizam têm sido atribuídos a uma provável falta de correspondência entre
tais factores e o seu hipotético substracto biológico [18], que deverão partilhar posto
que o mesmo fármaco reduz as pontuações em ambas as escalas. Por outro lado, no que se
refere ao terceiro factor, as interpretações têm sido muito mais díspares: onde os
Eysenck [11] descrevem obstinação (toughmindedness), Tellegen [13] fala de
constrangimento (constraint), e Costa e McCrae [12] de abertura à experiência.
Num outro modelo de cinco factores, ainda sujeito a debate, fala-se ainda em
consciencialização e em disposição prazenteira [12, 19]; aspectos há com interesse
para a psicopatologia, no entanto, que escapam completamente, seja o caso da autonomia ou
de aspectos relacionados com a maturidade do self. E contudo os estudos de âmbito
linguístico tem apontado para a existência de sete dimensões, entra as quais se
incluirão duas valências relacionadas com o autoconceito: respectivamente positivo/bom e
negativo/mau.
Onde se supõe que terão
falhado estes modelos, pelo menos em parte, é no facto de ao serem formulados não terem
tomado em consideração os seus determinantes quer a nível do substracto biológico quer
sociogenético. E sobre esta premissa pretendem Cloninger e colaboradores fazer repousar a
conceptualização do seu modelo psicobiológico [20, 21], tentando deste modo reconciliar
as abordagens dimensional e categorial. E é exactamente deste modelo que pretendemos em
parte ir ao encontro na orientação do requerido enquadramento teórico utilizado no
presente estudo, pese embora sem almejar a pretensão de uma teoria unificada, até porque
só serão abordados alguns aspectos que gravitam em torno do humor. No entanto o que
está implícito é que a estrutura temperamental subjacente aos traços de nível
psicopatológico entre inibição e exaltação em nada difere da responsável pela saúde
mental, antes se devendo procurar os seus determinantes num outro plano [22]. Ou seja,
dependência de recompensa caracteriza os sentimentais, dependentes, de locus de
controle [23] de tipo "outros poderosos" [24]; a atracção pela novidade
caracteriza o comportamento exploratório, a decisão impulsiva, atribuição extravagante
de reforço e baixo limiar de tolerância à frustração; finalmente o evitamento de
situações presumivelmente danosas/punitivas refere-se antes a inibição e retraimento,
associando-se a preocupações e pessimismo, e a comportamentos de passividade e
evitamento como receio pelo incerto / desconhecido, timidez face a estranhos e
fatigabilidade / astenia. E assim se pressupõem os clusters de personalidade A
("estranhos", desconfiados), B ("imaturos") e C
("estruturados", evitantes) como aqueles em que se podem identificar indivíduos
respectivamente com baixa dependência de recompensa, elevada atracção pela novidade e
grande evitamento de situações danosas. Por outro lado também se aceita desde logo que
a expressão de manifestações psicopatológicas se vai prender antes com aspectos
relacionados com o autoconceito, isto é, com respostas caracterialmente pendentes. Estas
podendo ser de tipo individual, gregário, ou transcendente, irão pois, se de valor baixo
no caso das duas primeiras, determinar o comportamento maladaptativo [22]. De facto, aqui
repousa a força de vontade e a capacidade de controle, elementos essenciais para uma boa
adaptação. Ou seja, a maturidade embebe-se de uma autoestima capaz de admitir erros e de
se aceitar como é, encontrando significado para a vida, tomando iniciativas face a
desafios, e aceitando sacrificar a gratificação imediata perante determinados
objectivos. Na sua contraparte de imaturidade, as características ditas infantis do borderline
com baixa autoestima levam-no a culpabilizar os outros pelos seus problemas, revelando os
seus sentimentos de inferioridade na insegurança da sua identidade, na dependência, e
frequentemente na hiper-reactividade e parcimónia de recursos. E se tais características
se dizem infantis, de facto é por força de expressão, uma vez que a criança encorajada
na sua autonomia e segura da afeição parental revela desde cedo a sua autoestima
positiva.
Por outro lado, se
referimos acima o locus de controle de tipo "outros poderosos"
relativamente à dependência de recompensa/necessidade de aprovação, também
poderíamos ter referido o evitamento de dano a propósito do isolamento e da depressão.
Mas se desse prisma os loci de controle surgem como uma emanação descritiva de
tendências comportamentais ligadas ao temperamento, parece-nos de realçar no entanto a
relação entre a internalidade e um enfrentar dos problemas mais construtivo e
responsável, sendo que os mais apáticos e que se distanciam, tendem a culpabilizar os
outros e as circunstâncias [25]. Ou seja, este outro aspecto mais relacionado com a
assunção das reponsabilidades versus alijar de culpas, aparece claramente
relacionado com o carácter e a autoestima. Também a este nível se inserem a
autoconfiança e o estabelecimento de objectivos. Estes, inclusive, mais do que a
satisfação dos impulsos ou o evitamento de conflitos, podem constituir-se no grande élan
motivador das pessoas amadurecidas [26].

Objectivos
Em trabalho por nós efectuado
anteriormente [24] referíamos nos prolegómenos que "é frequente fazer-se a
invocação etimológica do tradutore / traditore para a razão de que sempre que
há uma tradução há uma traição. E com efeito, no mundo da avaliação psicométrica
será até talvez mais correcto usar o termo adaptação do que tradução, uma vez que
nesta estão sempre implícitas transformações mais ou menos importantes de ordem
cultural/semântica. Mas mais além, questões há que podem perder por completo as suas
características de validade quando desinseridas do contexto cultural em que são
efectuadas." E acrescentávamos mais adiante que "é uma problemática por
demais descrita e mesmo um dos argumentos mais vezes referenciados quando se trata da
aferição de questionários e inventários de personalidade. Aqui reside a necessidade de
repetir de algum modo os procedimentos do autor em relação à escala original, qualquer
que ela seja, desde que esta se destine a ser utilizada, traduzida ou não, num contexto
cultural diferente. Nessa reprodutibilidade assenta o fazer ciência."
E assim é que, à
semelhança do supracitado trabalho anterior [24], se deve entender a presente proposta de
análise estrutural do Multiple Affect Adjective Check List - Revised [27], e de
modo tanto mais pertinente quanto é exactamente no contexto das séries sinonímicas de
qualificadores que a problemática de índole semântica se torna da maior acuidade. O que
se pretende pois, não é inferir conclusões para a população em geral, mas antes fazer
uma consideração descritiva da estrutura do inventário capaz de permitir tecer algumas
considerações sobre as suas propriedades psicométricas e indiciar formas válidas para
uso local. Como dizem desde logo os autores, dada a indispensável replicabilidade, a
tarefa de validação é interminável [27]. No entanto a atitude sempre foi conservadora,
no sentido de tentar ir de encontro às propostas originais, único meio de conseguir
fazer ulteriores comparações. Ora os autores começaram por utilizar o método empírico
para a selecção dos itens. A escala de ansiedade, por exemplo, foi construída a partir
de itens significativamente mais ou menos assinalados por indivíduos ansiosos do que
pelos do grupo de controle [28]; e de igual modo se lhes seguiu a depressão e a
hostilidade [29]. Mas se por um lado se evitou a sobreposição de itens entre as escalas,
também por outro, nesses primeiros estudos, não foi dada atenção suficiente à
estrutura factorial dos itens, vindo a justificar assim o desenvolvimento ulterior de
escalas mais breves. E é exactamente no desenvolvimento deste precursor que assenta o
presente trabalho.
Pretendemos pois chegar à
estrutura íntima do inventário proposto e traduzi-la tanto quanto possível, no contexto
de determinado enquadramento teórico, em escalas com validade de conteúdo, internamente
coerentes, e com a capacidade discriminativa possível para escalas que se pretende à
partida destacar de factores comuns extraídos a partir duma natureza humoral que, entre
afectos ditos positivos e negativos, se presume bipolar. Já os determinantes dessas
diferentes expressões patoplásticas representadas pelas subescalas, alegadamente ao
sofrer influências de natureza caracterial, escapam ao âmbito do presente estudo. No
entanto o que se supõe é que, primo, haja uma expressão positiva e negativa para
a atracção pela novidade, assim renascida como espírito de aventura ou antes
agressividade e hostilidade. Secundo, que haja igualmente uma reserva de afectos
positivos no sentimentalismo dos dependentes, que pode assumir a cor da reacção
depressiva a cada perda real ou fantasiada. Esta reacção traduz-se numa perda de
autoestima, depositada em terceiros, presumindo-se mais ou menos autolimitada apesar da
possível exuberância; e até por isso mesmo dado o seu efeito catártico e promotor de
novas dependências. Tertio e por último, concebemos ainda o retraimento e astenia
do evitamento de dano como um baixo limiar ansiógeno que, não sendo abertamente
disfórico, se incorporará nos afectos negativos sobretudo porque composto de um misto de
ansiedade, esse medo sem rosto, e ruminações de amargura e mágoa. No entanto também
podendo dar lugar à depressão reactiva, naturalmente. Esta pressupõe-se pois como um
acentuar depressivo que se enxerta num fundo permanente de tonalidade idêntica, seja por
abaixamento da autoestima não mais consequência mas antes causa.

População e Métodos
O grupo de 198 indivíduos que
configura a amostra, 120 do sexo feminino e 78 do masculino, foi recrutado entre
estudantes universitários do curso médico, constituindo a globalidade dos alunos que
então compareceram às aulas de frequência obrigatória na Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto, e designadamente da cadeira de Psicologia Médica leccionada no 4º
ano do curso no ano lectivo de 1993/94 e no de 1994/95, bem como à de Psicologia Médica
Básica, leccionada no 2º ano de 1993/94.
Após breve introdução de
que constava uma explicação sumária da finalidade do estudo e em que era garantida a
confidencialidade dos dados assim obtidos, era-lhes pedida colaboração no sentido de
preencherem o inventário/rol de adjectivos em estudo. Também nessa altura era desde logo
realçada a vertente de traço pretendida, isto é, era referido de viva voz o texto das
instruções em relação à característica a ter presente aquando do preenchimento:
visava-se o modo de ser habitual, mesmo que esporádico, e não o epifenómeno referido ao
episódio fugaz de um momento único.
O Multiple Affect
Adjective Check List (MAACL), e designadamente as suas escalas de traço, tem sido
imensamente utilizado desde há 30 anos, altura em que foi inicialmente publicado [27].
Dentre as largas centenas de referências que se lhe encontram, contam-se muitos estudos
que o utilizam como um indicador sensível de stress, seja o induzido por ameaça
do ego, frustração, fracasso, exames, entrevistas, sobre-estimulação,
privação sensorial, filmes, ameaça de dor, desespero aprendido, cirurgia, gravidez e
parto, etc. [27]. É pois um instrumento com provas dadas de sensibilidade e validade. No
entanto algumas questões se têm levantado quanto à sua natureza estrutural, questões
essas que se traduzem em termos de capacidade discriminante das escalas descritas e suas
propriedades psicométricas. As respostas são registadas numa única folha(*),
assinalando com uma cruz [X] numa quadrícula à frente de cada uma das 132 palavras de
que consta a lista, as que identifiquem um modo de sentir próprio mais ou menos habitual.
O preenchimento fica concluído, em média, ao fim de 5.9 minutos.
A análise factorial nasce
como um método de investigar a estrutura subjacente de uma matriz de correlações,
podendo ser particularmente útil na análise de itens em alternativa ao índice de
discriminação, embora retenha sempre um forte componente subjectivo em relação à sua
interpretação; o que não deixa de ser uma vantagem quando convenientemente usado.
Visando uma estrutura de interpretação simples, procedeu-se inicialmente a uma análise
exploratória através do estudo da matriz de correlações obtida por um método
factorial hierárquico capaz de escapar às restrições impostas pela ortogonalidade e
dar conta dos factores oblíquos. Pretendeu-se deste modo verificar qual a estrutura
interna do rol de adjectivos, através da análise dos clusters obtidos, e só
então a partir daí passar ao estudo das propriedades psicométricas destas escalas em
contraponto com as originalmente propostas. O pressuposto de que se partiu aqui foi o do
conhecimento de que os estudos do humor em regra têm detectado duas vertentes
independentes. E essa foi a primeira análise efectuada.
Conforme propõem os
autores, procedeu-se à análise factorial pelo método dos factores principais, dito do
eixo principal, com rotação varimax normalizada, no sentido de encontrar uma
solução capaz de dar um mínimo de garantias. Por um lado, na medida em que escalas mais
breves, evitando a sobreposição de itens, podem aumentar a sua capacidade
discriminativa; por outro lado, porque através da análise de conteúdo das escalas
obtidas, depois de devidamente avaliadas em termos psicométricos, se podem retirar mais
algumas conclusões em relação à transmutação semântica observada em relação às
propostas originais.
Pretendemos assim
reconstruir as escalas de modo a acentuar dentro do possível o seu poder discriminante,
passando depois a efectuar a respectiva análise de item através do alfa de Cronbach para
avaliar a sua fiabilidade, e usando depois o método de split-half de questões
alternadas para abordar a fiabilidade em termos de coerência interna. A este propósito
procedeu-se igualmente ao estudo das correlações médias inter-item e entre as escalas.
Finalmente, para analisar as implicações de excluir determinados itens do questionário,
determinou-se o alfa de Cronbach, as correlações médias inter-item e item-total, a
regressão múltipla item-escala (Rmult2) e a coerência interna das escalas resultantes
dessas supressões.
Por outro lado passaram a
considerar-se as consequências determinadas a nível das duas escalas globais das grandes
dimensões do humor pelo processo de depuração das subescalas. Com efeito dado que este
processo pretende isolar clusters evitando sobreposições entre eles, ao eliminar
os itens responsáveis por tal sobreposição vai-se reduzir necessariamente a validade e
sobretudo a coerência interna da dimensão referente à nuvem de origem na medida em que
esta seja unicamente definida pelo somatório das subescalas a que deu origem. Para o
obviar utilizou-se o expediente de utilizar, além dos referidos itens resultantes dos
somatórios das subescalas, todos aqueles que, empiricamente validados pelos autores do
estudo seminal, se revelassem com algum significado na construção da solução
bifactorial. Isto é, retendo todos os que forem excluídos unicamente por serem
partilhados por mais do que uma das subescalas, e que não sejam de excluir à partida por
qualquer outra razão grosseira de tipo passagem transcultural de afecto positivo para
negativo ou vice-versa, ou ainda total irrelevância no contexto das duas grandes
dimensões afectivas referidas.
Julgamos assim ir de
encontro aos pressupostos do modelo teórico na medida em que pretendemos obter índices
humorais genéricos, sugestivos de determinado tipo de intervenção, mas mais além poder
ainda caracterizar esta ou aquela modalidade expressiva, caso possa ser discriminada com
algum significado.
Para efectuar o
processamento dos dados recorreu-se ao package de análise estatística Statistica
for Windows 4.0 B (Statsoft Inc, 1993).

Resultados
QUADRO 1.
Descrição geral da amostra |
IDADE (Média ± DP) |
(N=198) |
M (n=78) |
F (n=120) |
22.94 ± 6.73 |
23.55 ± 6.2 |
22.55 ± 7.08 |
O grupo de 198
indivíduos utilizados no presente estudo era formado por 78 homens e 120 mulheres -
Quadro 1 - sem diferenças de idade significativas, reflectindo a assimetria entre sexos,
bem como a incidência num grupo etário particular, as características da população
estudantil universitária que lhe deu origem.
QUADRO 2.a. Análise factorial (N=198)
Solução de 2 factores (com rotação varimax
normalizada) |
| Grupos
de adjectivos cujas correlações com os factores (loadings) determinam os factores
oblíquos para a análise hierárquica |
Factor 1
Afectos negativos |
Factor original |
Factor 2
Afectos positivos |
Factor original |
Sem peso mais significativo em qualquer dos dois factores |
Factor original |
A4 - Receoso |
A |
A1 - Activo |
SS |
(A20 -
Cauteloso) |
|
A5 - Agitado |
|
A2 - Ousado |
SS |
(A41 -
Exasperado) |
H |
A7 - Agressivo |
SS |
A3 - Afeiçoado |
PA |
(A69 -
Ciumento) |
|
A9 - Só |
D |
A6 - Bem disposto |
|
(A81 -
Brando) |
SS - |
A12 - Zangado |
H |
A8 - Vivo |
|
A84 - Obsequiador |
|
A13 - Aborrecido |
H |
A10 - Amável |
|
(A94 -
Sossegado) |
SS - |
A14 - Horroroso |
|
A11 - Entretido |
|
(A97 -
Rude) |
|
A15 - Acanhado |
|
(A19 -
Calmo) |
|
(A106 -
Teimoso, obstinado) |
|
A16 - Amargurado |
|
A21 - Animado |
|
(A125 -
Vexado) |
|
A17 - Em baixo, abatido |
|
A22 - Limpo |
|
|
|
A18 - Enfadado, entediado |
SS - |
A24 - Contente |
|
|
|
A23 - Com razões de queixa |
H |
(A26 - De
cabeça fria) |
|
|
|
A25 - Contrariado |
|
A27 - Colaborante |
|
|
|
A29 - Rabugento |
H |
(A28 -
Crítico) |
H |
|
|
(A30 -
Cruel) |
H |
A31 - Corajoso |
SS |
|
|
A32 - Desesperado |
|
A34 - Dedicado |
|
|
|
(A33 -
Destruído) |
D |
A40 - Enérgico |
SS |
|
|
A35 - Enfadonho |
H |
A42 - Entusiástico |
SS |
|
|
A36 - Descontente |
|
A44 - Bem, perfeitamente |
|
|
|
A37 - Desencorajado |
D |
A45 - Em forma, capaz |
|
|
|
A38 - Desgostoso |
H |
A47 - Franco |
|
|
|
A39 - Insatisfeito |
|
A48 - Livre |
PA |
|
|
A43 - Apreensivo |
A |
A49 - Amigável, cordial |
PA |
|
|
A 46 - Abandonado |
D |
A52 - Vigoroso |
|
|
|
A50 - Assustado |
A |
A53 - Gentil |
|
|
|
A51 - Furioso |
H |
A54 - Divertido |
PA |
|
|
A55 - Melancólico |
|
A56 - Bom |
PA |
|
|
(A58 -
Severo, inflexível) |
|
A57 - Bondoso |
PA |
|
|
A61 - Desanimado |
|
A59 - Feliz |
PA |
|
|
(A62 -
Hostil) |
H |
A60 - Saudável |
|
|
|
A63 - Impaciente |
A |
A66 - Inspirado |
|
|
|
A64 - Incomodado |
H |
A67 - Interessado |
PA |
|
|
A65 - Indignado |
|
A70 - Jovial |
PA |
|
|
A68 - Irritado |
H |
A71 - Afável |
|
|
|
A72 - Solitário |
D |
A74 - Afectuoso, carinhoso |
PA |
|
|
A73 - Perdido |
D |
A76 - Com sorte |
|
|
|
A75 - Inferior |
|
A79 - Meigo |
|
|
|
(A77 -
Meio tolo, marado) |
H |
A80 - Alegre |
SS |
|
|
A78 - Mau, malvado |
H |
(A88 -
Paciente) |
|
|
|
A82 - Desgraçado |
D |
A89 - Tranquilo |
PA |
|
|
A83 - Nervoso |
A |
A90 - Gratificado |
PA |
|
|
A85 - Ofendido |
|
A91 - Agradável,
encantador |
PA |
|
|
A86 - Insultado |
|
A92 - Educado, cortês |
PA |
|
|
A87 - Apavorado, em pânico |
A |
A93 - Poderoso |
|
|
|
A96 - Rejeitado |
D |
A95 - Despreocupado |
|
|
|
A98 - Triste |
D |
A99 - Seguro |
|
|
|
A102 - Inseguro, tremido |
A |
A100 - Satisfeito |
PA |
|
|
A103 - Envergonhado |
|
A101 - Protegido |
PA |
|
|
[O presente
quadro completa-se no seguinte] |
Quanto aos
resultados da solução de dois factores da análise factorial com rotação do eixo
principal eles são apresentados nos quadros 2.a. e 2.b. (sua continuação). Nestes, à
frente de cada adjectivo está indicado por uma inicial o factor a que pertence na
proposta dos autores: A - Anxiety, D - Depression, H - Hostility, PA
- Positive Affects, e SS - Sensation Seeking; neste último caso o sinal de
menos a seguir indica pontuação negativa na referida escala. Os adjectivos entre
parênteses (caselas a sombreado) indicam loadings inferiores 0.30
QUADRO 2.b. Análise factorial (N=198)
Solução de 2 factores (com rotação varimax normalizada) |
| Grupos
de adjectivos cujas correlações com os factores (loadings) determinam os factores
oblíquos para a análise hierárquica |
Factor 1 (cont.)
Afectos negativos |
Factor original |
Factor 2 (cont.)
Afectos positivos |
Factor original |
Sem peso mais significativo... |
Factor original |
A109 - Sofredor |
D |
(A104 -
Apaziguado) |
|
|
|
A110 - Mal-humorado, mal
disposto |
|
A105 - Firme, constante |
PA |
|
|
A111 - Afundado, fracassado |
D |
(A107 -
Explosivo) |
|
|
|
A115 - Tenso |
A |
A108 - Forte |
|
|
|
A116 - Bastante mal |
|
A112 - Simpático,
complacente |
|
|
|
A117 - Aterrorizado |
|
A113 - Dócil, submisso |
SS - |
|
|
A118 - Pensativo |
|
A114 - Terno |
PA |
|
|
A119 - Tímido |
A |
(A121 -
Compreensivo) |
PA |
|
|
A120 - Atormentado |
D |
A126 - Caloroso |
PA |
|
|
A122 - Infeliz |
|
A127 - Sadio |
PA |
|
|
A123 - Retraído,
insociável |
|
A129 - Voluntarioso,
decidido |
|
|
|
A124 - Perturbado |
|
A132 - Jovem |
|
|
|
(A128 -
Extravagante) |
SS |
|
|
|
|
A130 - Fatigado, cansado |
|
|
|
|
|
A131 - Preocupado |
A |
|
|
|
|
Nota: Entre
parênteses (caselas sombreadas) vão os adjectivos de correlação inferior a 0.30 |

Em relação ao número de
factores a reter pelo critério de Kaiser segundo o qual um factor deve extrair pelo menos
tanta variância quanto uma variável original, a ser o único a ter em linha de conta,
levaria a um resultado de trinta e um factores. Por motivos desta ordem resultou a sua
insuficiência, o que levou ao aparecimento de outros. Sempre algo subjectivos é certo,
na medida em que a decisão fina resulta de uma última análise de conteúdo minuciosa.
É o caso do teste de
sedimentação proposto por Cattell, que aqui, conforme se pretende mostrar no gráfico
das variâncias extraídas por factor - Figura 1 -, nos remete para a decisão a tomar a
partir do terceiro factor.
QUADRO 3. Análise factorial (N=198)
Solução de 3 factores (com rotação varimax
normalizada) |
| Grupos
de adjectivos cujas correlações com os factores (loadings) determinam os factores
oblíquos para a análise hierárquica |
Factor 3
Retraimento |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
Factor 2
(Afectos positivos)
Itens com loadings > .3 em F1 |
Factor 1
(Afectos negativos)
Itens com loadings > .3 em F1 |
A4 - Receoso |
A |
|
A49 - Amigável, cordial |
A9 - Só |
A15 - Acanhado |
|
|
A57 - Bondoso |
A13 - Aborrecido |
(A19 -
Calmo) |
|
|
A71 - Afável |
A17 - Em baixo, abatido |
(A20 -
Cauteloso) |
|
|
A74 - Afectuoso, carinhoso |
A25 - Contrariado |
A39 - Insatisfeito |
|
Factor 3 |
A79 - Meigo |
A36 - Descontente |
A43 - Apreensivo |
A |
|
A92 - Educado, cortês |
A38 - Desgostoso |
A55 - Melancólico |
|
|
|
A61 - Desanimado |
A72 - Solitário |
D |
|
|
A98 - Triste |
(A81 -
Brando) |
SS - |
|
|
A102 - Inseguro, tremido |
(A94 -
Sossegado) |
SS - |
|
|
|
A103 - Envergonhado |
|
|
|
|
A118 - Pensativo |
|
|
|
|
A119 - Tímido |
A |
|
|
|
A130 - Fatigado, cansado |
|
Factor 3 |
|
|
A131 - Preocupado |
A |
|
|
|
Nota: Entre
parênteses (caselas sombreadas) vão os adjectivos de correlação inferior a 0.30 |
Repetimos pois a
análise com retenção de três - Quadro 3 - e quatro factores, tentando chegar ao
significado dos mesmos, e à sua eventual razão de ser, através da reflexão sobre o seu
conteúdo. No entanto, dada a lógica da sobreposição dos factores, repetimos a análise
de três factores entrando em linha de conta unicamente com os itens de peso mais
significativo no contexto dos afectos negativos - Quadro 4 -. E porque nesta última
solução acabamos por excluir da análise alguns itens das escalas originais, e sobretudo
da escala de hostilidade, dentro do espírito da atitude conservadora supra-referenciada
decidimos repetir ainda e uma vez mais esta última prova incluindo também a globalidade
dos itens das escalas originalmente propostas para os afectos negativos - Quadro 5 -,
resultando a inclusão de destruído (A33) na escala de depressão e de cruel (A30) e
hostil (A62) na de hostilidade.
QUADRO 4. Análise
factorial (N=198)
Solução de 3 factores (com rotação varimax normalizada) |
| Análise
incidindo sobre os itens com correlações com os factores (loadings) > 0.30 na
solução bifactorial |
Factor 3
Hostilidade |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
Factor 3 (Cont)
Hostilidade |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
A7 - Agressivo |
|
|
A86 - Insultado |
|
|
A12 - Zangado |
|
Factor 1 |
A87 - Apavorado, em pânico |
A |
|
A14 - Horroroso |
|
|
A96 - Rejeitado |
D |
|
A16 - Amargurado |
|
|
A109 - Sofredor |
D |
|
A32 - Desesperado |
|
|
A110 - Mal-humorado, mal
disposto |
|
Factor 1 |
A37 - Desencorajado |
|
Factor 1 |
A111 - Afundado, fracassado |
D |
|
A50 - Assustado |
A |
Factor 1 |
A116 - Bastante mal |
|
|
A51 - Furioso |
|
|
A117 - Aterrorizado |
|
|
A73 - Perdido |
D |
|
A120 - Atormentado |
D |
|
A78 - Mau, malvado |
|
|
A122 - Infeliz |
|
|
A82 - Desgraçado |
D |
|
A124 - Perturbado |
|
|
A85 - Ofendido |
|
Factor 1 |
|
|
|
Nota: Entre
parênteses (caselas sombreadas) vão os adjectivos de correlação inferior a 0.30 |
Nesta última linha de actuação procedemos
igualmente para os afectos positivos fazendo incidir a análise sobre os itens expostos
pela solução bifactorial, neles incluindo, pelas razões já aduzidas, todos os
mencionados na proposta original do estudo americano - Quadro 6 -. Ressaltam sobretudo a
exclusão da agressividade bem como de todos os contributos negativos para a escala de sensation
seeking, e o contributo para a mesma de afectos positivos como divertido (A54),
satisfeito (A100), firme, constante (A105), e caloroso (A126).
QUADRO 5. Análise
factorial (N=198)
Solução de 3 factores (com rotação varimax
normalizada) |
| Análise
incidindo sobre os itens com loadings > 0.30 no factor de Afectos
Negativos da solução bifactorial |
Factor 1
Retraimento / ansiedade |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
Factor 2
Depressão |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
A4 - Receoso |
A |
|
A32 - Desesperado |
|
|
A9 - Só |
D |
|
A50 - Assustado |
A |
|
A15 - Acanhado |
|
|
A73 - Perdido |
D |
|
A18 - Enfadado, entediado |
S - |
Factor 3 |
A78 - Mau, malvado |
H |
|
A35 - Enfadonho |
H |
|
A82 - Desgraçado |
D |
|
A37 - Desencorajado |
D |
Factores 2 e 3 |
A86 - Insultado |
|
Factor 3 |
A39 - Insatisfeito |
|
Factor 3 |
A87 - Apavorado, em pânico |
A |
|
A43 - Apreensivo |
A |
Factor 3 |
A96 - Rejeitado |
D |
|
(A46 -
Abandonado) |
D |
|
A109 - Sofredor |
D |
|
A55 - Melancólico |
|
|
A111 - Afundado, fracassado |
D |
|
A61 - Desanimado |
|
Factor 2 |
A117 - Aterrorizado |
|
|
A72 - Solitário |
|
D |
A120 - Atormentado |
D |
|
A75 - Inferior |
|
|
A122 - Infeliz |
|
Factor 1 |
A98 - Triste |
D |
Factor 3 |
A124 - Perturbado |
|
Factor 3 |
A102 - Inseguro, tremido |
A |
|
Factor 3
Hostilidade |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
A103 - Envergonhado |
|
|
A118 - Pensativo |
|
|
A119 - Tímido |
A |
|
A5 - Agitado |
|
|
A123 - Retraído,
insociável |
|
|
A7 - Agressivo |
SS |
|
A130 - Fatigado, cansado |
|
|
A12 - Zangado |
H |
|
A131 - Preocupado |
A |
|
A13 - Aborrecido |
H |
|
Sem peso mais significativo num dos factores |
Factor original |
Factor secundário
(loadings > .3) |
A16 - Amargurado |
|
Factor 2 |
A23 - Com razões de queixa |
H |
|
A25 - Contrariado |
|
Factor 1 |
A17 - Em baixo, abatido |
|
Factores 1 e 3 |
A29 - Rabugento |
H |
|
A 38 - Desgostoso |
H |
Factores 1, 2 e 3 |
A36 - Descontente |
|
Factor 1 |
A65 - Indignado |
|
Factores 1, 2 e 3 |
A63 - Impaciente |
A |
|
A51 - Furioso |
|
Factores 2 e 3 |
A64 - Incomodado |
H |
|
A83 - Nervoso |
A |
Factores 1 e 3 |
A68 - Irritado |
H |
|
A115 - Tenso |
A |
Factores 1 e 3 |
A85 - Ofendido |
|
Factor 2 |
A116 - Bastante Mal |
|
Factores 2 e 3 |
A110 - Mal-humorado, mal
disposto |
|
Factores 1 e 2 |
Nota: Entre
parênteses (caselas sombreadas) vão os adjectivos de correlação inferior a 0.30 |
Entrando em linha
de conta com as considerações anteriormente obtidas, passou-se então a efectuar a
análise de itens, começando por analisar os sugeridos para cada um dos factores, tanto
quanto possível sem peso significativo nos outros, e isto respectivamente para cada um
dos três referentes aos afectos negativos, bem como dos dois referentes a afectos
positivos e sensation seeking. Tendo ainda em mente a referida atitude
conservadora, fomos incluir ainda e uma vez mais em cada uma das escalas, os itens das
propostas originais não contemplados, porém obedecendo ao mesmo princípio de não
sobreposição dado ser esse desde logo um contributo da análise factorial para o poder
discriminativo da escala. Os resultados são apresentados nos Quadros 7 a 11, referindo-se
respectivamente cada um deles sequencialmente a uma das subescalas. Ainda nestes quadros
são também apresentados os resultados dos estudos de fiabilidade efectuados
respectivamente para cada uma das referidas subescalas a serem propostas.
QUADRO 6. Análise
factorial (N=198)
Solução de 2 factores (com rotação varimax
normalizada) |
Análise incidindo sobre os itens com loadings > 0.30 no factor de Afectos
Positivos da solução bifactorial
(incluídos tos os itens das escalas originais que não
obtiveram tal peso) |
Factor 1
Afectos positivos |
F. original / factor secundário |
Factor 2
Autoconfiança /
/ Sensation seeking |
F. original / factor secundário |
Sem peso mais significativo em qualquer dos dois factores |
F. original / factor secundário |
A3 - Afeiçoado |
PA |
A1 - Activo |
SS |
(A18 - Enfadado, entediado) |
SS - |
A10 - Amável |
|
A2 - Ousado |
SS |
(A76 - Com sorte) |
F2 |
A11 - Entretido |
F2 |
A6 - Bem
disposto |
|
A127 - Sadio |
PA / F2 |
A19 - Calmo |
|
(A7 - Agressivo) |
SS |
|
|
A22 - Limpo |
|
A8 - Vivo |
|
|
|
(A26 - De cabeça fria) |
|
A21 - Animado |
|
|
|
A27 -
Colaborante |
|
A24 - Contente |
F1 |
|
|
A34 - Dedicado |
|
(A28 - Crítico) |
H |
|
|
A44 - Bem, perfeitamente |
F2 |
A31 - Corajoso |
SS |
|
|
A47 - Franco |
|
A40 - Enérgico |
SS |
|
|
A48 - Livre |
PA / F2 |
A42 -
Entusiástico |
SS |
|
|
A49 -
Amigável, cordial |
PA |
A45 - Em forma,
capaz |
|
|
|
A53 - Gentil |
|
A52 - Vigoroso |
|
|
|
A56 - Bom |
PA |
A54 - Divertido |
PA |
|
|
A57 - Bondoso |
PA |
A59 - Feliz |
PA / F1 |
|
|
A60 - Saudável |
F2 |
A66 - Inspirado |
|
|
|
A67 -
Interessado |
PA |
A80 - Alegre |
SS / F1 |
|
|
A70 - Jovial |
PA / F2 |
A93 - Poderoso |
|
|
|
A71 - Afável |
|
A95 -
Despreocupado |
|
|
|
A74 -
Afectuoso, carinhoso |
PA |
A99 - Seguro |
|
|
|
A79 - Meigo |
|
A100 - Satisfeito |
PA / F1 |
|
|
A81 - Brando |
SS - |
(A101 - Protegido) |
PA |
|
|
A88 - Paciente |
|
A105 - Firme,
constante |
PA |
|
|
A89 - Tranquilo |
PA |
A107 -
Explosivo |
|
|
|
A90 -
Gratificado |
PA |
A108 - Forte |
|
|
|
A91 - Agradável, encantador |
PA / F2 |
A126 - Caloroso |
PA / F1 |
|
|
A92 - Educado,
cortês |
PA |
A128 -
Extravagante |
SS |
|
|
A94 - Sossegado |
SS - |
A129 -
Voluntarioso, decidido |
|
|
|
(A104 - Apaziguado) |
|
A132 - Jovem |
|
|
|
A112 -
Simpático, complacente |
|
|
|
|
|
A113 - Dócil,
submisso |
SS - |
|
|
|
|
A114 - Terno |
PA |
|
|
|
|
A121 -
Compreensivo |
PA |
|
|
|
|
Notas:
1 - As caselas sombreadas indicam os itens que não pertencem ou
não têm poder discriminativo na respectiva escala
2 - Entre parênteses vão os itens com loadings inferiores a 0.30 no
respectivo factor
3 - Se houver loadings superiores a 0.30 noutro factor dito secundário,
também este vai indicado à frente |
Apresenta-se ainda
- Quadro 12 - lado a lado o estudo da fiabilidade das escalas através dos elementos da
análise de itens obtidos respectivamente para as escalas originais e em contraponto com
os obtidos para as aqui propostas. De realçar o facto de as escalas globais de afectos
positivos, por um lado, e disforia por outro, incluírem conforme referido, não só os
itens em somatório das subescalas componentes, como ainda todos aqueles que, oriundos das
propostas originais, assumiram loadings significativas num dos respectivos factores
da primeira abordagem através duma solução bifactorial. E passando à sua nomeação,
são eles, para os afectos negativos: só (A9), com razões de queixa (A23), enfadonho
(A35), desencorajado (A37), apreensivo (A43), abandonado (A46), assustado (A50), furioso
(A51), impaciente (A63), perdido (A73), mau, malvado (A78), nervoso (A83), triste (A98),
sofredor (A109), tenso (A115) e atormentado (A120). E para os afectos positivos em sentido
lato: activo (A1), livre (A48), feliz (A59), jovial (A70), alegre (A80), tranquilo (A89),
gratificado (A90), agradável, encantador (A91), satisfeito (A100), protegido (A101),
firme, constante (A105), caloroso (A126) e sadio (A127).
QUADRO 7. Composição das escalas
(N=198)
Contraponto com as propostas originais |
Afectos negativos |
Ansiedade
F1: Retraimento |
Fiabilidade: a = 0.764
Corr. média inter-item = 0.296 |
Itens no factor original
(10 itens) |
Outro factor |
Itens propostos
(8 itens) |
F original
// outro |
Loadings |
Corr Item-Total |
Rmult2 |
a
se excluída |
A4 - Receoso |
|
A4 - Receoso |
A |
0.45 |
0.457 |
0.27 |
0.740 |
A43 - Apreensivo |
|
A15 - Acanhado |
|
0.64 |
0.517 |
0.35 |
0.728 |
(A50 -
Assustado) |
F2 |
A72 - Solitário |
|
0.39 |
0.369 |
0.18 |
0.754 |
A63 -
Impaciente |
F3 |
A102 - Inseguro, tremido |
A |
0.54 |
0.506 |
0.29 |
0.731 |
A83 - Nervoso |
|
A103 - Envergonhado |
|
0.62 |
0.543 |
0.34 |
0.723 |
(A87 -
Apavorado, em pânico) |
F2 |
A119 - Tímido |
A |
0.62 |
0.502 |
0.33 |
0.731 |
A102 - Inseguro, tremido |
|
A123 - Retraído,
insociável |
|
0.47 |
0.446 |
0.22 |
0.746 |
A115 -
Tenso |
F3 |
A131 - Preocupado |
A |
0.42 |
0.392 |
0.19 |
0.753 |
A119 - Tímido |
|
|
|
|
|
|
|
A131 - Preocupado |
|
|
|
|
|
|
|
Notas:
1 - As caselas sombreadas indicam os itens que se verifica não
pertencerem ou sem poder discriminativo na respectiva escala
2 - Entre parênteses vão os itens com loadings
inferiores a 0.30; à frente vai o factor primário (se o houver)
3 - Se houver loadings superiores a 0.30 noutro factor
dito secundário, também este vai indicado à frente |
Conclui-se
finalmente com a análise correlacional de que se apresenta em continuação - Quadro 13 -
a matriz rectangular de correlações entre as escalas originais e as propostas.
